
Jean-Didier Berger, ministro delegado do Interior da França, falando sobre segurança de investidores de criptomoedas no país. Fonte: Paris Blockchain Week/Reprodução.
Jean-Didier Berger, ministro delegado do Interior da França, participou do Paris Blockchain Week nesta quinta-feira (16) e prometeu maior segurança para investidores e executivos do setor de criptomoedas.
Além de quatro casos isolados entre 2017 e 2024, o país registrou 20 roubos e sequestros ligados a criptomoedas em 2025. Neste ano, 19 dos 27 casos mundiais foram registrados na França.
Os dois mais recentes aconteceram em Anglet, cidade litorânea, e Vale do Marne, região metropolitana de Paris, nos dias 10 e 13 de abril, respectivamente.
A onda de sequestros contra investidores de criptomoedas na França está tão alta que alguns estrangeiros estão evitando o país.
Participando da Paris Blockchain Week nesta quinta-feira (16), Jean-Didier Berger, ministro delegado do Interior da França, prometeu oferecer uma maior segurança para a comunidade cripto.
“Aos detentores de criptoativos: o plano de ação cripto mobilizará todas as forças de segurança interna para protegê-los contra a violência. Continuem escolhendo a França!”
Aux porteurs de cryptoactifs: le plan d’action « crypto » engagera l’ensemble des forces de sécurité intérieure, pour vous protéger contre les violences. Continuez de choisir la France !🇫🇷 @ParisBlockWeek @amarmic @Interieur_Gouv @NunezLaurent #blockchain @MuseeLouvre pic.twitter.com/hKPcsLf1hp
— Jean-Didier Berger (@JD_Berger) April 16, 2026
Na transmissão ao vivo, Berger aparece sendo rapidamente confrontado já na primeira pergunta ao ser questionado sobre quais medidas o governo francês está tomando.
“É verdade que existem várias preocupações que precisamos levar a sério como governo e o que notamos, especificamente, é que no ano de 2025, notamos uma mudança, especificamente, após 13 de maio de 2025. Desde então, notamos que, mesmo comparado a outros países, na França, nós temos que levar isso extremamente a sério, o que estamos fazendo, e é por isso que estamos aqui na Paris Blockchain Week”, respondeu Berger.
A data mencionada pelo ministro se refere à tentativa de sequestro da filha de um executivo do setor de criptomoedas. O ataque aconteceu em plena luz do dia na capital francesa e a ação foi filmada por moradores.
“O que percebemos é que, três dias depois, nós tomamos uma ação imediata com o governo com medidas preventivas para que aquilo não se repetisse no futuro.”
O ministro francês também cita a criação de uma plataforma onde investidores e executivos do setor podem se inscrever, notando que centenas de registros foram feitos logo após seu lançamento.
“Também tomamos outras ações para as pessoas estarem bem informadas, para podermos tomar ações imediatas quando necessário. Ainda mais importante, de tudo isso, é que a comunicação pública que temos com a nossa comunidade, nós postamos nas redes sociais e também lançamos plataformas de comunicação para que qualquer um que esteja preocupado possa se expressar e assim agirmos juntos.”
Apesar das promessas e mudanças, os números mostram que a situação na França piorou. Desde o ataque mencionado pelo ministro, 33 novos casos foram registrados no país em menos de 12 meses.
Segundo reportagem publicada pelo France Info nesta semana, cinco indivíduos invadiram uma casa em Anglet, cidade litorânea da França, na última sexta-feira (10) em busca de um empresário que investia em criptomoedas.
O jornal aponta que várias pessoas foram mantidas em cárcere privado no local por cerca de 1h, mas abandonaram o local levando somente joias de alto valor após não encontrarem a vítima em questão.
Em outra matéria, o mesmo jornal fala sobre outro caso em que uma mãe e seu filho de 10 anos passaram 20 horas sob controle dos sequestradores antes de serem liberados.
Os criminosos demandavam que o pai da família pagasse um resgate em criptomoedas, que não foi pago. O sequestro aconteceu no Vale do Marne, região metropolitana de Paris, na última segunda-feira (13), e quatro suspeitos foram presos.
Por fim, apesar das falas do ministro Berger, a repetição dos casos demonstra que a França está longe de resolver este problema e, para piorar, nem sequer sabe como tudo começou.