“Perdi a herança do meu pai em uma pirâmide financeira”, diz vendedora de MG

Adriana Batista investiu R$ 26,5 mil na GenBit, empresa investigada por ter dado suposto golpe de R$ 1 bilhão em 45 mil investidores, segundo o Ministério Público de São Paulo.

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“Perdi a herança do meu pai em uma pirâmide financeira”, diz vendedora de MG
Adriana Batista, vendedora de Minas Gerais
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A vendedora Adriana Batista pegou a herança de seu pai, morto em 2016, no ano passado. Parte do dinheiro ela usou para pagar um curso superior em comércio exterior. A outra metade, que soma R$ 26,5 mil, ela investiu na GenBit, empresa suspeita de prática de pirâmide financeira.

Igualmente aos outros investidores, Adriana acabou perdendo o dinheiro. No início desta semana, ela contou sua história no programa Jogo Aberto, da TV Sudoeste/Canal 31. A emissora fica no município de São Sebastião do Paraíso (MG), situado na divisa com São Paulo.

“Achei que fosse um investimento sério, mas cai em um golpe e perdi parte da herança do meu pai”, disse ela na entrevista.

Sempre tive medo de golpe, mas não achei que a Genbit pudesse ser uma pirâmide financeira

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No programa, Adriana falou que investiu na Genbit em abril do ano passado. Conforme o relato, ela disse ter sido convencida por uma amiga próxima, que teria dito que valeria mais a pena tirar o dinheiro da poupança e colocar na empresa.

Na época, a Genbit chamava Zero10 Club e oferecia lucros de até 15% ao mês, dependendo do valor investido pela pessoa. Em todo o ano de 2019, de acordo com o Banco Central, a poupança rendeu 4,26%, um terço do que a empresa prometia mensalmente.

“Como sempre tive medo de cair em golpes, pesquisei muito antes de entrar no negócio. Nas pesquisas, não encontrei nada que pudesse  indicar ser algum tipo de fraude”, falou Adriana.

A vendedora fez o investimento na época em que a CVM (Comissão de Valores Mobiliários) divulgou o primeiro alerta sobre a atuação irregular da Genbit. Antes desse aviso, nenhum órgão havia levantado qualquer suspeita sobre o negócio.

Acredito na Justiça de Deus, falou vendedora que perdeu dinheiro em suposta pirâmide financeira

Na entrevista, Adriana comentou que o dinheiro tem feito muita falta. “Fiquei desempregada e tive que fazer empréstimo para sobreviver”, falou ela, que além de ter perdido o pai, também perdeu a mãe e a irmã em um acidente de carro.

“Fico muita chateada por ter caído nesse golpe, que tem tirado minhas noites de sono e minha paz. Mas tenho fé e acredito que a Justiça será feita, se não a daqui, pelo menos a Justiça de Deus”, disse a vendedora.

Investidora disse que registrou boletim de ocorrência assim que percebeu ter levado um golpe

Quando percebeu que caiu em um golpe, Adriana disse que foi até uma delegacia para fazer um boletim de ocorrência contra a Genbit, conforme a entrevista. Assim como ela, outras pessoas – tanto do município de São Sebastião do Paraíso como de outras cidades – também denunciaram a empresa.

Desde o começo do ano, a Polícia Civil de São Paulo investiga o caso. Por causa da existência de possíveis crimes contra o sistema financeiro nacional, como lavagem de dinheiro e organização criminosa, a Polícia Federal também acompanha a situação na Genbit.

“Quem puder ir até a polícia para também registrar boletim de ocorrência e juntar o depoimento ao inquérito, vai ajudar bastante”, disse Adriana. 

Além da Polícia, o Ministério Público de São Paulo moveu uma ação civil pública para averiguar a atividade da suposta pirâmide financeira. O órgão estima que a Genbit tenha dado um golpe de R$ 1 bilhão em 45 mil pessoas.

Breve histórico da Genbit, investigada por prática de pirâmide financeira

A Genbit, antiga Zero10 Club, foi lançada no final de 2017 pelo empresário Nivaldo Gonzaga, conhecido por desviar cargas de colchões no Paraná. Além disso, ele participou da Prosperity Clube, pirâmide financeira que lesou 20 mil pessoas.

A empresa, com sede em Campinas (SP), prometia para os investidores rendimentos fixos de até 15% ao mês em cima do capital aportado. Por causa desse suposto lucro, a suposta pirâmide financeira conseguiu captar 45 mil pessoas em todo o Brasil.

Em setembro de 2019, o negócio deixou de pagar os investidores com dinheiro real e informou que pagaria todo mundo com o TPK (Treep Token), um token desenvolvido pela empresa. A criptomoeda, no entanto, não vale nem um centavo.

A decisão de pagar com TPK gerou uma enxurrada de processos judiciais. Na Justiça de São Paulo e do Paraná, segundo levantamento da reportagem do Livecoins, há cerca de 600 processos.

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Lucas Marins
Lucas Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).

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