Presidente da Genbit atuou em pirâmide financeira que fez 20 mil vítimas no Brasil

A Prosperity Clube, fundada no começo de 2017, prometia rendimentos de 2,5% ao dia ou de até 200% em quatro meses.

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Presidente da Genbit atuou em pirâmide financeira que fez 22 mil vítimas no Brasil
Presidente da Genbit, Nivaldo Gonzaga, e seu enteado, Gabriel Tomaz Barbosa. Reprodução/Facebook
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No espaço de tempo entre “furtar” colchões no Paraná e lançar a suposta pirâmide financeira Genbit (antiga Zero10 Club), o empresário Nivaldo Gonzaga integrou um conhecido golpe brasileiro associado a critpomoedas: a Prosperity Clube.

A pirâmide, fundada por Alexandre Kwok e Eneas Tomaz no começo de 2017, prometia rendimentos de 2,5% ao dia ou de até 200% em quatro meses. Esses lucros seriam obtidos por meio de operações com bitcoins e trader esportivo.

Pirâmide Prosperity Clube lançou criptomoeda própria, assim como a Genbit

No final de 2017, no entanto, a pirâmide financeira Prosperity Club ruiu e deixou de pagar os investidores.

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Quando a estrutura do golpe começou a desmoronar, os responsáveis pelo esquema tiveram a ideia de lançar uma criptomoeda própria, chamada Proscoin. O suposto ativo digital, no entanto, era falso e nunca valeu um centavo.

Pouco tempo depois, como os leitores do Livecoins já sabem, Nivaldo Gozaga colocou em prática o que aprendeu na Prosperity Clube.

Em resumo, ele lançou a Genbit, fez falsas promessas para captar dinheiro, deixou de pagar, sumiu com a grana e, por fim, obrigou os clientes a aceitar o TPK (Treep Token), uma criptomoeda que não vale nada.

Pirâmide com envolvimento de Gonzaga deixou rastro de 20 mil vítimas

A pirâmide financeira que Gonzaga integrou no passado deixou um rastro de vítimas em todo o Brasil. A estimativa, de acordo com vídeo compartilhado com a reportagem do Livecoins, é que pouco mais de 20 mil pessoas tenham sido lesadas.

No reclame Aqui, há diversos comentários de pessoas que perderam dinheiro no esquema.

“Coloquei R$7,5 mil no investimento. Eles sumiram e até hoje não consigo sacar e nem eles nos procuram pra pagar. Como fazer pra recuperar esse meu dinheiro?”, escreveu, no ano passado, uma das vítimas da empresa.

“Depositei R$ 1.000 na conta de um dos executivos da Prosperity chamado Lucas Jussiani Morandini. Ele me prometeu juros de 2 % ao dia. Quando pedi o resgate em agosto de 2017, ele sumiu e não me pagou nada até hoje”, disse outra vítima.

Gonzaga, da Genbit, aparece palestrando em evento da Prosperity Clube

Em um vídeo enviado para a reportagem do Livecoins, o fundador da Genbit aparece em um evento da Prosperity Club, realizado em Feira de Santana, município baiano localizado a cerca de 120 quilômetros de Salvador.

Centenas de pessoas – todas aparentemente humildes e simples – participaram do encontro, que ocorreu em maio de 2017. Gonzaga, vestido de terno e gravata, estava lá, sentado ao lado de Alexandre Kwok, que além de fundador da Prosperity Club, também é o cabeça por trás da ArbCrypto, uma suposta pirâmide investigada pela Polícia Civil de São Paulo.

No vídeo, o presidente da Genbit subiu ao palco para palestrar. Não há trechos do discurso dele. Nas palestras dos outros integrantes do esquema, no entanto, é possível ouvir o tipo de discurso usado para convencer as pesoas a investirem dinheiro.

Nivaldo Gonzaga no evento da Prosperity Clube, na Bahia. Imagem: Reprodução/YouTube.

Frases típicas em palestras de pirâmides financeiras, a exemplo de “quem quer ganhar dinheiro levanta a mão” e “quem acredita no projeto?” etc, não faltam.

Gonzaga, portanto, é experiente quando o assunto é captar dinheiro das pessoas. Vale lembrar que, além da Prosperity Clube, ele foi fundador da Indaco Energia em Equilíbrio, outra suposta pirâmide financeira.

Como anda o caso Prosperity Clube?

Como poucas vítimas entraram na Justiça contra a Prosperity Clube, ninguém foi punido até agora. Consulta no Jusbrasil, por exemplo, mostra poucas ações que mencionam o golpe. Até agora, Nivaldo Gonzaga também não foi associado ao esquema.

No caso da Genbit, no entanto, a situação é diferente. Isso porque as vítimas não tiveram medo de entrar com processos judiciais e citar tanto Gonzaga como os líderes do suposto esquema fraudulento.

Além dos processos judiciais – que já somam 600 – a Polícia Civil e o Ministério Público também investigam a exchange, o que dá aos investidores mais chances de recuperar o dinheiro perdido e de ter o gosto de ver os supostos golpistas punidos, assim como ocorreu com os fundadores da Unick Forex.

Confira o histórico da GenBit:

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Lucas Marins
Lucas Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).

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