Corretora usava “coach que chora em palco” para convencer pessoas a investirem no negócio

Coach dizia para pessoas largarem tudo para se dedicarem ao projeto

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Robson Martins, coach e fundador do do IRM – Instituto de Robson Martins. Reprodução/Facebook.

Para convencer investidores a acreditarem no negócio, o Grupo Tree Part – dono da GenBit e da antiga Zero10 Club – investia pesado em seu time de embaixadores e líderes. Um deles era o coach Robson Martins, conhecido na região de Campinas (SP).

Martins, que é fundador de uma escola de coaching que leva seu nome, afirma em seu site que seus principais valores são “Deus, família e relacionamento”. Diz também que, em sua jornada pela vida, já leu 500 livros, palestrou na Europa, México e Estados Unidos e que, graças a tudo isso e mais um pouco, desenvolveu um método que pode ajudar as pessoas a realizarem seus sonhos.

No entanto, essa bagagem toda e esse método – que até pode ter sido usada em benefício de outras pessoas – levou outras centenas para um tremendo pesadelo. Isso porque desde o final do ano passado a GenBit, empresa que Martins divulgava como “estruturada”, deixou de pagar todo mundo. A Justiça inclusive determinou o bloqueio de R$ 800 milhões do negócio.

Investidor diz que acreditou em coach, que chorava no palco

Um investidor, que pediu para não ter o nome revelado, disse à reportagem que colocou dinheiro no negócio porque acreditou nas palavras do coach.

“Ele dizia que a GenBit tinha vida útil de mais de 100 anos e que era para nós largarmos tudo o que tínhamos com outros trabalhos para nos dedicarmos 100% à empresa. Ele ficava emocionado e até chorava no palco dizendo isso”, falou.

O investidor, que depositou R$ 27 mil na GenBit, disse que hoje está tentando se reerguer, mas está com dívidas e não consegue pagar parcelas do carro e nem do cartão de crédito.

Ele falou que acredita que Martins, assim como ele, pode ter sido enganado pela empresa.

De dentista a mestre em comportamento humano

Em uma entrevista concedida ao SBT, Martins contou que estudou odontologia e é de uma família de dentistas, mas decidiu mudar de carreira quando percebeu que se enquadraria melhor na área de psicologia.

“Desde quando me formei, percebi que existia uma lacuna na faculdade, pois não se ensinava sobre gente, mas sim sobre dente. Então fui começar a estudar sobre comportamento humano já no segundo ano do curso”.

Em seu site, afirma que estuda o ser humano há cerca de 20 anos e diz ter feito vários cursos na área, como um mestrado em Neuromarketing na Florida Christian University, nos Estados Unidos, e uma especialização em Relações Humanas e Apresentações Estratégicas de Alto Impacto pelo Instituto Dale Carnegie, também no país norte-americano.

Martins, em seu site, também diz que já formou mais de 3 mil profissionais de todo o Brasil no centro de formação de coaches fundado por ele.

Internautas criticam relação de GenBit e coach

Em sua página no Facebook, Robston Martins costuma divulgar frases motivacionais, como é de praxe entre os profissionais que trabalham na área de coaching.

Ele também tem um canal no YouTube, com 786 seguidores, onde publica vídeos sobre produtividade, negócios etc. Em um deles, em que cita a GenBit – que na época era a Zero10 Club – os internautas criticaram a relação dele com a empresa.

A reportagem contatou o coach por meio do Facebook, mas até agora não obteve resposta. Caso Martins queira dar uma entrevista, a matéria será atualizada.

Quem indica pirâmide também pode ser punido pela Justiça?

Em grupos de conversa, alguns clientes lesados pela GenBit relataram que nos processos judiciais que moveram contra a empresa, também estão citando os líderes do negócio.

Em casos anteriores envolvendo pirâmides financeiras, a Justiça reconheceu a culpa de quem aliciou novos integrantes pelos crimes de ato ilicito civil estelionato.

O Juízo da Vara Única da Comarca do Bujari, no Acre, por exemplo, condenou um divulgador da Telexfree – pirâmide financeira de telefonia via internet – a pagar de R$ 9,3 mil para um vítima que ele atraiu para o negócio fraudulento.

Qual a situação da GenBit?

O Grupo Tree Part (Gensa Serviços Digitais), dono da GenBit, responde a mais de 400 processos judiciais somente em São Paulo. São ações de pessoas que investiram no negócio – que prometia rendimentos fixos de 15% ao mês por meio da Zero10 Club -, mas não conseguem reaver o dinheiro.

O grupo também foi alvo de uma ação civil pública do Ministério Público de São Paulo, que pediu o fechamento do negócio e o bloqueio de R$ 1 bilhão. A Justiça, em resposta ao processo, manteve o conglomerado aberto, mas determinou o bloqueio de R$ 800 milhões.

Mesmo no meio desse turbilhão jurídico, a empresa tenta fomentar o uso de seu Treep Token (TPK), uma “criptomoeda” com pouco valor de mercado. Com ela, é possível apenas comprar produtos e alimentos – a exemplo de sushis ou sapatos – com desconto de até 30%.

Confira o histórico da GenBit:

Genbit começa atrasar pagamentos

Genbit começa ser processada na justiça

Ministério Publico entra com ação contra Genbit, ação de 1 Bi

Polícia Civil investiga Genbit

Genbit diz onde está dinheiro dos clientes

Genbit quer pagar clientes com Sushi

Ex-ancião de igreja promoveu Genbit

Advogado quer varrer da Igreja líderes da Genbit

GenBit diz que sua criptomoeda é igual BAT e Tether

Justiça tenta bloquear 800 milhões da Genbit mas só encontra R$ 1.800

Presidente da GenBit fecha acordo de R$ 100 mil, “mas na hora de pagar desaparece com dinheiro”

Casal que perdeu R$ 45 mil em corretora pendura faixa na sede da empresa

Braço direito de presidente da GenBit toa calote de R$ 1 milhão da empresa

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Lucas Marins
Lucas Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).
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