Antes da GenBit, Nivaldo Gonzaga era conhecido por “furtar” colchões de revendedora do Paraná

O presidente da suposta pirâmide financeira, segundo processo judicial, chegou a “se apropriar” de um veículo carregado de colchões

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Presidente da GenBit, Nivaldo Gonzaga
Presidente da GenBit, Nivaldo Gonzaga. Reprodução/YouTube
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Dez anos antes de montar a GenBit – suposta pirâmide financeira que deixou um rastro de 45 mil vítimas e um prejuízo de quase R$ 800 milhões –, o empresário Nivaldo Gonzaga dos Santos já era conhecido por dar golpes na praça. Naquela época, ele atuava como revendedor autônomo de colchões.

Segundo processo criminal que corria na Justiça do Mato Grosso do Sul, o suposto “piramideiro” costumava pegar colchões de empresas revendedoras para supostamente mostrá-los para clientes. O problema é que ele não devolvia os produtos e ainda jogava a conta para terceiros.

Além disso, de acordo com a mesma ação, ele chegou a “se apropriar” de um veículo lotado de colchões em 2010, o que gerou uma investigação na Polícia Civil do Paraná. Pelos golpes, o Ministério Público denunciou o empresário por crime de estelionato.

Empresa alegou que emprestou colchões apenas para demonstração

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De acordo com a ação, que foi encerrada no ano passado, o presidente da GenBit emprestou colchões da empresa Cataratas Fabricação de Colchões, localizada em Santa Tereza do Oeste (PR). O fato ocorreu em setembro de 2015.

Ao pegar os produtos, segundo informações repassadas pela empresa à polícia, Gonzaga dos Santos se comprometeu a mostrá-los para uma suposta cliente de Sete Quedas, município do Mato Grosso do Sul com pouco mais de 10 mil habitantes. A devolução seria feita em seguida, caso ela não ficasse com os colchões.

Sete Quedas, no Mato Grosso do Sul. Imagem: Reprodução/YouTube.

A empresa, ao emprestar os colchões, alegou ter emitido uma “nota fiscal de demonstração” em nome da suposta compradora citada por Gonzaga. Quando uma NF é lançada apenas para “demonstração”, a cobrança dos impostos fica suspensa, mas os produtos devem ser devolvidos em até 60 dias, segundo a legislação tributária.

Gonzaga, no entanto, não devolveu os colchões nem a nota fiscal.

Suposta cliente só descobriu fraude após receber em casa cobrança de imposto

A vítima só ficou sabendo que seu nome foi usado indevidamente porque recebeu em casa uma notificação da Secretaria de Estado da Fazenda do Mato Grosso do Sul. No documento, havia um pedido de pagamento de ICMS, no valor de quase R$ 2 mil.

Ao receber a notificação, segundo o processo, a vítima foi até a delegacia de Sete Quedas para registrar um B.O (boletim de ocorrência) contra Gonzaga.

“Consta do inquérito policial (…) que o denunciado Nivaldo Gonzaga dos Santos, ciente da responsabilidade de sua conduta, obteve para si vantagem licita, em prejuízo alheio, mediante artifício ardil, ou qualquer outro meio fraudulento, contra a vítima (…)”.

Presidente da GenBit, Nivaldo Gonzaga dos Santos. Imagem: Reprodução/Facebook

Gonzaga “furtou” caminhão carregado de colchões

Após o registro do B.O, a polícia do Mato Grosso do Sul encaminhou pedido de explicação para a empresa revendedora de colchões do Paraná. Em resposta, o representante legal da companhia explicou que Gonzaga havia simulado uma operação de demonstração de produtos em nome de terceiros e não havia devolvido nem os colchões nem a nota fiscal.

Além disso, a empresa também relatou à polícia que o presidente da GenBit “efetuou outras práticas idênticas com outras vítimas, tendo, inclusive, se apropriado de veículo carregado de colchões, no ano de 2010, o que culminou com o registro de um boletim de ocorrência”.

Confira o histórico da GenBit:

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Lucas Gabriel Marins
Lucas Gabriel Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).

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