GenBit não paga funcionários, corta plano de saúde e deixa colaboradores sem assistência em meio à pandemia do coronavírus

“O que ocorreu foi que eles caíram em um tremendo golpe”, disse um dos entrevistados.

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O Grupo Tree Part, que controla a exchange GenBit, deixou “na mão” seus colaboradores, assim como fez com os cerca de 45 mil investidores que perderam dinheiro na suposta pirâmide financeira.

A empresa, que costumava citar “Deus”, “propósito” e “transformação” em seus discursos, não está pagando mais os salários dos 20 funcionários que ainda trabalham no negócio. Eles não recebem desde dezembro.

A informação foi repassada por quatro pessoas ligadas à empresa. Elas pediram anonimato por medo de represálias.

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De acordo com as fontes, o Grupo Tree Part informou que não consegue realizar os pagamentos porque estaria com problemas no certificado digital, assinatura eletrônica usada para emitir nota fiscal eletrônica, reconhecer firma etc.

Nivaldo Gonzaga e seu filho, Gabriel Tomaz Barbosa. Eles são administradores da GenBit. Reprodução/Facebook.

Sem benefícios no meio da pandemia do coronavírus

Além de não depositar o dinheiro, a empresa não demitiu ninguém, o que seria o mais justo a fazer no meio dessa pandemia do coronavírus, pois daria aos colaboradores pelo menos a possibilidade de pegar seguro-desemprego e outros benefícios.

“Ninguém tem renda mais. As pessoas que trabalham lá estão pedindo dinheiro emprestado para familiares para sobreviver”, disse uma das pessoas entrevistadas.

Para piorar a situação dos colaboradores, em fevereiro a empresa cortou o plano odontológico e o de saúde de todos.

Por causa disso, uma das funcionárias, que estava grávida, não conseguiu concluir o pré-natal e nem mesmo pegar licença-maternidade, segundo uma das quatro pessoas ouvidas nesta reportagem.

Os colaboradores caíram em um golpe

Assim como os investidores lesados pela empresa de Nivaldo Gonzaga, eles acreditam que os funcionários foram enganados. “O que ocorreu foi que eles caíram em um tremendo golpe”, disse um dos entrevistados.

A reportagem questionou o grupo sobre o TPK (TreepToken), moeda fictícia que a empresa obrigou os investidores a aceitar como pagamento. Os entrevistados falaram que quando a GenBit anunciou a mudança foi um choque para todos.

“Essa troca de moeda foi repentina para gente, então imagine para os clientes. Creio que o que a empresa fez foi na verdade uma manobra de má de fé. Não tem outra palavra para descrever isso”, disseram.

Em grupos de conversa, líderes ainda ligados ao negócio tentam convencer as pessoas de que o TPK tem valor. Para tentar desvencilhar o token do passado supostamente criminoso da empresa, eles mudaram o nome da criptomoeda para Treep Global.

Presidente da GenBit, Nivaldo Gonzaga
Presidente da GenBit, Nivaldo Gonzaga. Reprodução/YouTube

Histórico da GenBit

O Grupo Tree Part e a GenBit não pagam seus investidores desde setembro. Por causa disso, o conglomerado responde a quase 500 processos judiciais só em São Paulo.

São ações movidas por pessoas que investiram no negócio porque acreditaram nas promessas de lucros de até 15% ao mês feitas por meio da antiga Zero10 Club, que pertencia ao grupo.

Além de responder aos processos dos investidores, a empresa também é alvo de investigações da Polícia Civil de Campinas (SP) e do MPSP (Ministério Público de São Paulo).

Confira o histórico da GenBit:

Genbit começa atrasar pagamentos

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Lucas Marins
Lucas Marins
Jornalista desde 2010. Escreve para Livecoins e UOL. Já foi repórter da Gazeta do Povo e da Agência Estadual de Notícias (AEN).

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