
Stablecoins cresceram muito na última década e termo já não faz sentido, diz a16z. Imagem: ChatGPT.
Robert Hackett, executivo da a16z, acredita que o termo ‘stablecoin’ irá envelhecer mal, assim como aconteceu com a expressão ‘cavalo-vapor’ para medir a potência de automóveis, ‘discar’ em smartphones e ‘filmar’ com dispositivos que não utilizam filme.
No início, essas moedas surgiram como uma alternativa ao Bitcoin e outras criptomoedas voláteis. No entanto, hoje elas se destacam por casos de uso mais amplos, bem como por uma perspectiva de grande expansão.
“A estabilidade agora é o básico. É o ponto de partida, não o objetivo. A pergunta já não é “ele vai manter seu valor?”, mas “o que mais podemos construir com isso?””, questiona o texto da a16z.
Dados do CoinMarketCap apontam que hoje as stablecoins estão avaliadas em US$ 322 bilhões. Dentre os principais nomes estão o USDT da Tether e o USDC da Circle, mas até mesmo gigantes tradicionais como PayPal e Western Union já lançaram a sua própria criptomoeda atrelada ao dólar americano.
Segundo o Citi, o setor pode alcançar a marca de US$ 4 trilhões ainda em 2030, multiplicando seu valor atual por mais de 12 vezes.
A a16z concorda com essas projeções de crescimento, mas se mostra preocupada com a nomenclatura dessas moedas.
“A estabilidade agora é o mínimo esperado. É um requisito, não o objetivo.”
Como exemplo, eles citam como a medida cavalo-vapor foi incorporada no fim dos anos 1770, há cerca de 250 anos, fazendo pouco sentido nos dias atuais.
“Ainda “discamos” números em “smartphones”, enviamos “CC (cópia em carbono)” em e-mails e “filmamos” com dispositivos que não têm filme”, escreve Hackett. “Stablecoins não são mais apenas uma solução alternativa para a volatilidade. Elas se tornaram infraestrutura fundamental de um novo sistema financeiro global. Movem valor entre países instantaneamente, liquidam transações em segundos em vez de dias e podem ser mantidas diretamente por qualquer pessoa na internet, sem intermediários. E, por rodarem em blockchains programáveis, também podem ser integradas em aplicações de formas que o dinheiro tradicional nunca conseguiu.”
“É por isso que o nome “stablecoin” está ultrapassado: ele ainda aponta para o problema original que foi criado para resolver, não para o que se tornou.”
Seguindo, o executivo destaca que já existe um movimento de rebranding, incluindo o uso de termos como “dinheiro digital” ou “dinheiro programável” que, embora mais precisos, são menos elegantes.
Outra possibilidade seria a adoção de nomes mais diretos, como “dólares digitais”, “euros digitais” e “ativos on-chain”.
No Brasil, dados do Google Trends mostram que as maiores buscas são pelo nome ‘USDT‘, referência do setor, superando o termo ‘stablecoin‘ que, por sua vez, aparece com mais buscas que as expressões ‘dólar digital‘ ou ‘digital dollar‘.
A mesma tendência se repete em buscas globais.
“O mais provável é que a tecnologia simplesmente desapareça para o fundo da cena e vire apenas o modo como o dinheiro funciona, assim como deixamos de dizer “iluminação elétrica” quando a eletricidade virou padrão. Hoje são apenas luzes”, explica o executivo da a16z.
“Espera-se algo semelhante aqui: conforme stablecoins crescem para trilhões, sustentam fluxos globais de pagamento e ficam no centro de aplicações financeiras no mundo todo, o nome importará cada vez menos. O que importará é que o dinheiro, pela primeira vez, se comporta como a internet: rápido, programável e ubíquo.”