Mineradores querem criar clone do Ethereum, entenda

Henrique HK
Henrique HK
Formado em desenvolvimento web há mais de 20 anos, Henrique Kalashnikov encontrou-se com o Bitcoin em 2016 e desde então está desvendando seus pormenores. Tradutor de...
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Com a chegada da maior atualização do Ethereum, abandonando a mineração por placas de vídeo, é possível que mais uma criptomoeda surja no mercado, sendo uma espécie de “Bitcoin Cash” do Ether.

O motivo é a pressão da indústria multibilionária da mineração, prestes a perder sua maior fonte de receita. Sendo assim, estes sonham que o novo clone possa ser tão grande quando o Ethereum é hoje, mantendo seus lucros.

Outra alternativa é a migração dos equipamentos para minerar Ethereum Classic (ETC). Alguns gigantes, como a Bitmain e a Antpool, já estão apostando nesta estratégia. Contudo, o maior problema é que o ETC nem sequer possui um ecossistema para sustentá-lo.

ETHPoW, mineradores planejam fork do Ethereum com chegada da atualização

Ainda sem nome, porém chamada de ETHPoW (Ethereum Proof-of-Work) por um recente artigo da Bitmex, uma nova criptomoeda pode estar prestes a surgir no mercado com a migração do Ethereum para Proof-of-Stake (PoS) no próximo mês.

A principal motivação é a perda de receita dos mineradores que embolsaram R$ 3,2 bilhões apenas no mês passado. A soma salta para R$ 40,2 bilhões quando analisamos dados anuais, números impressionantes dado que estamos em um forte mercado de baixa.

Receita de mineradores de Ethereum, em dólares, desde janeiro de 2022. Fonte: The Block.

Sendo assim, esta indústria multibilionária está tentando encontrar alternativas para se manter viva. Segundo o jornalista Colin Wu, hoje grandes mineradores estão divididos em três grupos.

Enquanto a Bitmain está dando suporte ao Ethereum Classic (ETC), investindo US$ 10 milhões em seu ecossistema, outros como Chandler Guo estão planejando criar um clone do Ethereum, mantendo suas características atuais. Já um terceiro grupo estaria inclinado a apoiar outras criptomoedas.

“Atualmente, existem quase 5 bilhões de dólares em placas de vídeo e ASICs (E9) para mineração de Ethereum que precisam encontrar uma maneira de continuar a atividade depois que o Ethereum se tornar PoS em setembro. A maioria pertence a mineradores chineses.”

Tem tudo para ser mais uma shitcoin no mercado

Entretanto, é difícil acreditar que um novo clone do Ethereum consiga se quer chegar perto do Ethereum Classic (ETC) — hoje com valor de mercado de US$ 5 bilhões — quanto mais do Ethereum (ETH) e seus US$ 200 bilhões.

Sendo assim, é possível que essa nova moeda se torne um “Bitcoin Cash (BCH)” do Ethereum, sendo esquecida em pouco tempo. Como destaque, o BCH chegou a valer quase 1/4 de um BTC em 2017, hoje 1 BCH vale menos que 0,06% que 1 BTC. Portanto, caso holders de ETH recebam esta nova moeda de graça, a dica é vendê-la tão rápido quanto possível.

Preço do Bitcoin Cash (BCH) em relação ao Bitcoin (BTC). Fonte: CoinMarketCap.

Por fim, o maior problema é que investidores deste novo clone do Ethereum estariam literalmente servindo de liquidez para mineradores, assim como acontece no ETC hoje. Afinal, a tendência é que todos grandes projetos permaneçam junto ao Ethereum após a atualização e que esta nova criptomoeda não tenha nenhum apoio.

Outras interessadas nesta briga são a NVIDIA e a AMD, maiores fabricantes de placas de vídeo. Com o mercado prestes a presenciar uma enxurrada de GPUs usadas, é possível que as vendas de suas placas novas despenquem, afetando a receita e também o preço de suas ações.

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